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Archive for the ‘Vida na Europa’ Category

Adeus Blogspot e até mais, Londres

outubro 3, 2010 3 comentários

Domingo chuvoso aqui em Londres. Fiquei em casa quase o dia todo e aproveitei para transferir meu blog Brazilian SEO, que contém meus artigos em inglês, do Blogspot para o WordPress. Eu bem que tentei dar uma chance ao Blogspot, mas a inferioridade em relação ao WordPress é gritante.  Tanto que nem o Matt Cutts usa o Blogspot, que é produto do Google, como plataforma do seu blog.

Além disso, reservei minha passagem para o Brasil. Chego  dia 12 de janeiro 10 de dezembro (mudança de planos) – do auge do inverno de Londres para o auge do verão no Brasil. Não vejo a hora de ver o sol de novo! 🙂

Primeira semana

A primeira semana em um trabalho novo é sempre estranha. Eu demoro um pouco pra me sentir a vontade, fico tímida, falo pouco… nem pareço eu mesma.

O meu primeiro dia começou com uma reunião geral, que acontece toda segunda-feira de manhã. Nela, eu fui oficialmente apresentada, o CEO mostrou as despesas e lucros semanais da empresa, cada departamento falou das conquistas e próximas tarefas para seus clientes e ouvimos uma apresentação sobre o Foursquare.

A I Spy está entre as 16 agências de marketing online com maior faturamento da Grã Bretanha, mas tem poucos funcionários. Somos 35, divididos em SEO, PPC e Social Media. Eu estou em SEO e recebi cinco clientes para fazer MUITO link building. Tenho algumas otimizações pra fazer, mas a minha principal tarefa será conseguir links de qualidade para meus clientes. O bom é que a agência terceiriza a confecção de artigos. Eu só preciso definir todo começo de mês os títulos e palavras-chave. A empresa, que fica na Índia, escreve e faz a submissão dos artigos para vários diretórios. Muita mamata!

O pessoal da agência é jovem e bem bacana. Quando cheguei, a maioria veio se apresentar e conversar comigo. A única coisa é que cada um almoça sozinho na própria mesa e eu estava acostumada a almoçar junto com as meninas na Englishtown.

Os CEOs daqui também são bem legais. Temos uma mesa cheia de frutas para comer o dia todo. Segunda-feira estava super calor e todo mundo ganhou sorvete. Às seis da tarde todos desaparecem do escritório. No primeiro dia eu queria fazer uma moral ficar até mais tarde, mas fui praticamente expulsa.

Sexta feira eu chamei os gerentes para uma reunião e mostrei a eles o Yammer para comunicação interna no lugar de e-mails. Usávamos esse sistema na EF e era muito bom. Eles gostaram, mas  preferem pesquisar outras alternativas antes de adotar algum sistema.

Que mais? Ah, sexta, no final do dia, bebemos Champagne, vinho e cerveja no escritório. Parece que praticamente toda semana eles fazem happy hour. Não posso reclamar! 🙂

Categorias:Vida na Europa

Encontro SMX Londres

Não consegui convite para ir ao SMX Londres esse ano. Eu bem que tentei: usei uma das minhas duas questões permitidas para membros pro do Seomoz para pedir um convite; pedi para meu novo chefe na I SPY antes mesmo de ter começado na empresa. Mas recebi duas respostas negativas e tive que me contentar em acompanhar o evento pelos blogs e pelo Twitter.

Analisando os tweets #SMX encontrei vários falando desse evento. Eu queria muito ir, mas não tinha companhia. Eu definitivamente não queria ir direto pra casa no meu último dia de trabalho na Englishtown. Precisava beber e queria muito conhecer outros SEOs. Convenci a Carol, espanhola que trabalhava comigo, e lá fomos nós. Detalhe: ela estava de bicicleta e foi pedalando para o bar. Saímos juntas de Sloanes Square; eu de ônibus e ela de bike. Adivinha quem chegou muito antes? A Carol, claro! O transito de Londres é mesmo terrível.

Chegando lá, cerveja a vontade! Pegamos a pulseira verde que nos daria acesso gratuito ao bar a noite inteira. Tudo que eu precisava para esquecer minha saída da Etown!

A primeira pessoa que encontrei no bar foi o Jammit. Ele fez um trabalho incrível escrevendo ao vivo o que rolava nas palestras o evento. Pedi uma foto com ele:

Encontrei também uma das escritoras do blog SEO-Chicks, a Judith Lewis

Mas meu coração quase parou quando eu vi que o Rand Fishkin estava no evento. Foi o maior esquema pra pedir a foto pra ele, que estava sempre cercado de gente. Eu e Carol nos posicionamos perto do banheiro masculino. Uma hora ele teria que entrar lá. E assim foi, quando ele estava para entrar no banheiro eu pedi uma foto. “Eu sei que é muito constrangedor, mas será que você pode tirar uma foto com a gente?”, perguntei. Ele foi super simpático e, mentira ou não, disse que se lembrava de mim do SES Londres – quando eu fui cumprimentá-lo, dizendo que era fã do Seomoz. Eu sei, pago mico mesmo! 😀

Na hora de ir sair ele se despediu de mim da forma mais inconfundível, parecia que eu estava assistindo a um dos seus White Board Friday: “Take care!”

O fim de um capítulo

Ontem foi meu último dia na empresa. Eu tentava não pensar, não queria chorar e nem fazer drama. Consegui me segurar (quase) o dia todo, apesar dos meus colegas me olharem toda hora como se eu estivesse para morrer. “Ah, não acredito que você não vai mais estar aqui amanha”, “nosso último almoço juntas”, “A última vez que vamos conversar no Skype”, “nosso último café na empresa”… Em num desses “a última vez que…” não consegui me segurar.

Eu cheguei a Londres há apenas seis meses e meus colegas da Englishtown são meus únicos amigos por aqui. É com eles que saio (saia?) toda sexta-feira. Sei que vou continuar morando na cidade e não será difícil encontrá-los, mas também sei que não irei vê-los com tanta freqüência.

Escrevi uma carta me despedindo de todos da empresa e postei no Yammer – que funciona como o Twitter, em que as pessoas compartilham informações – mas é fechado para os funcionários da empresa dona da conta. Eu sempre fui uma das mais ativas por lá, e por isso o Lorenzo brincava dizendo que eu era uma Spammer do Yammer.

Na hora de ir embora, alguns me acompanharam até a porta. Não nos despedimos dramaticamente porque quinta-feira vai ter uma festa de despedida pra mim. Foi bom, porque nos despedimos dizendo “até quinta, então”. E eu não chorei tanto. Ontem terminava um importante capítulo da minha vida e estou ansiosa para saber como será o próximo, que começa segunda-feira, na I Spy.

O dilema

Para mim, nada é tão difícil quanto tomar decisões. Até mesmo as mais corriqueiras viram um dilema. Eu lembro de uma vez que fui a um restaurante com a minha irmã. Já não era horário de pico e por isso havia vários lugares disponíveis. Mudei de mesa umas dez vezes, só decidi quando ela começou a se irritar comigo. Perto da janela, longe do banheiro, longe da porta, fora da passagem do garçom… Todas tinham seus prós e contras e nenhuma era perfeita.

Semana passada eu vivi um dilema um pouco mais sério. Depois de mais de quinze dias indo a inúmeras entrevistas, recebi duas propostas ao mesmo tempo. A primeira foi da I Spy, que eu escrevi nesse post que tinha aceitado a proposta. Logo depois, a Dot Seo, onde fiz a entrevista com o brasileiro em inglês, também me ofereceu a vaga.

Eu já tinha aceitado a proposta da I Spy, mas a Dot Seo me ofereceu um salário um pouco melhor e a descrição do trabalho parecia mais atraente. Enquanto na I Spy eu deveria ficar no time de SEO, responsável por otimização e link building apenas, na Dot Seo eu seria gerente de contas, fazendo SEO, PPC e atendimento ao cliente.

O salário, apesar de importante, não pesava tanto na minha decisão. O que eu tinha que escolher era: eu quero me especializar em SEO e fazer somente isso por um bom período ou eu quero fazer um pouco de tudo?

A primeira vista, fazer um pouco de tudo me parecia melhor. A Dot Seo parecia muito interessada que eu integrasse o time deles e eu tinha me simpatizado imediatamente com o Alex, o brasileiro que me entrevistou. Por tudo isso, mesmo já tendo aceitado a oferta da I Spy, aceitei também a oferta da Dot.

Mesmo assim, eu continuava pensando. Quem me indicou para a I Spy foi o Gustavo Bacchim. Ele conhece a agência e disse que o amigo dele que trabalha lá fala muito bem da empresa; Que os colegas são bacanas, o treinamento excelente e que a I Spy está crescendo rapidamente em Londres. A minha outra dúvida contra a Dot Seo era: será que eu conseguiria fazer de tudo um pouco e fazer tudo bem? Será que vou conseguir gerar bons resultados para todos os clientes fazendo atendimento, PPC e SEO ao mesmo tempo?

Sexta-feira eu acordei com dois empregos. Eu tinha falado sim para as duas agências e agora precisava recusar a oferta de uma delas. Eu fiz uma pesquisa com a Englishtwon inteira. Pedi a opinião de todos – desde meu chefe até o faxineiro. Cada um achava uma coisa e eu mudava de idéia após cada conversa. Eu estava mais inclinada para a Dot Seo, mas ainda não tinha certeza.

Sexta-feira a tarde enviei um e-mail para a I Spy dizendo que eu tinha recebido uma proposta melhor e que não iria trabalhar com eles. Eu disse que na Dot Seo eu iria fazer mais do que SEO, que eles me ofereceram revisão de salário em três meses e que eu tinha a impressão de que eles estavam mais interessados que eu integrasse o time deles.

Logo depois de eu enviar o e-mail, o Matt da I Spy me ligou, aumentando a oferta de salário e disse que, apesar de eu ficar no time de SEO, terei treinamento em outras áreas da empresa. Ele também me disse que vários candidatos foram entrevistados e que obviamente eles me queriam no time.

Continuei pesando os prós e contras das duas ofertas o final de semana todo. Eu queria poder me dividir em duas, porque acho que ambas oportunidades são fantásticas. Se eu tivesse recebido uma só proposta eu teria aceitado qualquer uma delas feliz da vida, mas esse dilema me consumiu a semana toda!

Hoje eu me decidi de vez pela I Spy. Escolhi me especializar em SEO. Essa  profissão está crescendo e eu quero ser muito boa nisso. PPC é fácil e pode esperar, gerente de contas eu posso ser mais tarde.

Eu só sinto que eu tenha que dar início a minha nova fase profissional desapontando alguém. Espero que o Alex da Dot Seo consiga me entender. Espero que os diretores da I Spy não estejam irritados com a minha quase mudança de idéia. Espero ter feito a melhor escolha. E, mais do que tudo, espero aprender a tomar decisões mais rapidamente. Ganhei algumas rugas vivendo todo esse dilema!

Meu próximo trabalho em Londres

Recebi uma oferta  da agência I Spy Marketing, onde apresentei meu trabalho ontem. Mostrei a proposta da I Spy para o Antonio, líder dos SEOs na Englishtown, e ele me aconselhou a não aceitar antes de perguntar três coisas: se o contrato é permanente, o período de experiência e qual seria o tempo de aviso prévio. Eu estava um pouco ansiosa e enviei as três perguntas sem pensar. O Matt, responsável pela minha contratação na agência, respondeu as minhas questões, comentando no final que a minha ultima pergunta passa a impressão de que eu estou pensando em sair da empresa mesmo antes de entrar. Arghhtt, que fora!

Eu comecei a escrever outro e-mail explicando que eu queria conhecer todos os detalhes do contrato e que…SEU EMAIL FOI ENVIADO COM SUCESSO. Nãaaaaaaaaooooo! A porcaria do MSN simplesmente enviou o meu e-mail assim, pela metade!!!

Eu comecei a dar pulos na cadeira, O QUE EU FACO AGORAAA? Escrevi rapidamente mais um e-mail explicando que o e-mail anterior tinha sido enviado por engano e que sim, eu aceito a proposta. Enviei e fiquei esperando a resposta que não vinha. Eu comecei a imaginar os três que me entrevistaram reunidos naquela sala com o computador na parede reavaliando a minha contratação.

A Carol, espanhola que trabalha do meu lado, percebeu a minha agitação e me aconselhou a ligar pra eles. Eu não tenho crédito no meu celular, respondi quase chorando. Liga do meu celular, ela falou enquanto me entregava o IPhone dela, meu sonho de consumo.

Liguei e falei com o Grant e depois com o Matt. Os dois me falaram que ainda não tinham visto meu e-mail pela metade e que o Matt estava brincando, eles entendiam a minha pergunta. Enfim, fora atrás de fora!

Eles pediram para eu começar dia 24 de maio e meu contrato termina dia 14 de junho apenas. Conversei com o Antonio e ele disse que eu posso aceitar a data, mas para assinar o contrato primeiro antes de pedir o rompimento com a Englishtown.

Depois de toda a emoção de hoje, estou mais tranquila agora, cheia de planos, e não vejo a hora de começar meu novo trabalho. Acho que vai ser desafiador, mas uma ótima oportunidade para eu ficar fera em marketing online.

Apresentação de trabalho na entrevista

A agência que me entrevistou ontem pela terceira vez fica em Covent Garden. Dessa vez eu peguei o metrô e cheguei bem antes das seis da tarde. Fiquei olhado as vitrines das lojinhas enquanto tentava me acalmar. Essa não seria uma entrevista como outra qualquer, mas a apresentação da análise de um site sob a perspectiva de SEO, que eu passei o final de semana inteiro preparando.

Quem me recebeu foi a Charlotte, recepcionista da agência. Ela me encaminhou para uma sala, deu-me um copo d’água e me deixou sozinha. Em cima da mesa, um mouse e teclado sem fios. A tela fina e grande do computador, pendurada na parede.  Fiquei lendo o Heralds, jornal gratuito que peguei na estação de metrô, por um bom tempo. E então chegou o Nic, o diretor de marketing, pedindo desculpas pelo atraso.

Conversamos rapidamente e logo ele sugeriu que eu desse início a minha apresentação. Comecei pedindo para ele me avisar caso fosse necessário detalhar melhor algum ponto ou passar mais rápido o que fosse muito óbvio para ele. Apresentei slide por slide, ponto por ponto, e ele parecia me escutar com atenção. Fez poucas anotações e nenhuma pergunta.

Quando terminei, ele disse que o meu trabalho estava muito próximo com o que eles fariam na agência e que eu parecia muito confortável durante a apresentação. Ele também disse que queria ver como seria o meu inglês nesse tipo de situação, confirmando a minha suspeita: se eu fosse nativa na língua inglesa, iria precisar apenas enviar a minha apresentação por e-mail. “Vou dar meu feedback positivo e dizer que eles podem seguir com a sua contratação”, disse-me no final.

Antes de sair eu perguntei se poderia postar a apresentação no meu blog e ele pediu que eu não a publicasse, já que podem querer usá-la mais tarde.

Saí sem nenhuma proposta concreta, mas com a feliz suspeita de ter encontrado meu próximo local de trabalho.

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